Espaço de memória relacionado com a Judiaria de Alenquer, este edifício da antiga Igreja de Santa Maria da Várzea, encontra-se integrado no centro histórico, junto ao troço de muralha do Castelo com o qual a antiga Judiaria confinava. Relaciona ainda a história os judeus diretamente com a antiga Igreja da Várzea, através de registo de Guilherme Henriques, no âmbito da expulsão dos mesmos no final do século XV: “O município de Alenquer ainda quis dar uma cor de razão ao ato [de expulsão], e, lançando mão do facto de se ter incendiado a igreja da Várzea, processaram os judeus, e provando-se que foram eles os incendiários, expulsaram-nos da vila”. Quanto à ligação de Damião de Góis com a antiga igreja, também ele uma das mais notáveis vítimas da Inquisição a par com os judeus/cristãos-novos, acusado e julgado pela Inquisição, por se considerar que se desviara da antiga fé da Igreja, por influência de Lutero, ali foi batizado em 1502 e ali comprou o direito de se fazer sepultar na capela-mor, onde o efetivamente veio a ser em 1574. Neste espaço, podemos encontrar, para além do carneiro (aberto) da sua sepultura, exposição consagrada à sua vida e obra, com particular destaque à sua condição de vítima da Inquisição.